#Q1 – Avaliação psicológica no contexto hospitalar

Tempo de leitura: 7 minutos

Questão extraída do Livro 300 Questões Comentadas da Psicóloga Caroline Leite e publicado pela Editora Concursos PSI

01. (FCC/MP – AP/2012) No transtorno de personalidade borderline, o indivíduo apresenta humor:

a)  modulado pelo nível de gratificação imediata, porém sem risco mórbido.

b)  estável e muitas vezes não se consegue rapidamente detectar riscos eminentes.

c)  constantemente melancólico e por vezes isto se confunde com a  depressão clássica.

d)  predominantemente irritadiço e isto se mistura com o padrão esquizotípico.

e)  instável, muitas vezes sente-se vazio e corre grande risco de se matar.

Comentários: 

Antes de iniciarmos a resolução da nossa primeira questão, vale ressaltar que, quando falamos em transtornos mentais e de comportamento para fins de concurso público, devemos nos reportar à Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10, ao Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR), além do Compêndio de Psiquiatria. 

Dito isso, podemos dar início à resolução da questão. Ela solicita do candidato conhecimentos relativos ao transtorno de personalidade borderline. Para tanto, vamos revisar o que diz o CID-10 a respeito de transtornos específicos de personalidade? 

De acordo com a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10, "um transtorno específico de personalidade é uma perturbação grave da constituição caracterológica e das tendências comportamentais do indivíduo, usualmente envolvendo várias áreas da personalidade e quase sempre associado à considerável ruptura pessoal e social. O transtorno de personalidade tende a aparecer no final da infância ou na adolescência e continua a se manifestar pela idade adulta. É, entretanto, improvável que o diagnóstico de transtorno de personalidade seja apropriado antes da idade de 16 ou 17 anos."

O CID-10 também afirma que essas condições não devem ser atribuídas à lesão ou doença cerebral flagrante e nem a algum outro transtorno psiquiátrico. Alguns critérios, no entanto, devem ser preenchidos para que o diagnóstico seja confirmado.

Segundo o CID-10, são eles: 

a. atitudes e condutas marcantemente desarmônicas, envolvendo em várias áreas de funcionamento (afetividade, excitabilidade, controle de impulsos, modo de percepção e de pensamento e estilo de relacionamento com os outros); 

b. o padrão anormal de comportamento é permanente, de longa duração e não limitado a episódios de doença mental; 

c. o padrão anormal de comportamento é invasivo e claramente mal-adaptativo para uma ampla série de situações pessoais e sociais; 

d. as manifestações acima sempre aparecem durante a infância ou adolescência e continuam pela idade adulta; 

e. o transtorno leva à angústia pessoal considerável, mas isso pode se tornar aparente apenas tardiamente em seu curso; 

f. o transtorno é usual, mas não invariavelmente associado a problemas significativos no desempenho ocupacional e social.

Já o DSV-IV-TR aponta que o transtorno de personalidade é: "padrão persistente de vivência íntima e comportamento que se desvia de forma acentuada das expectativas da cultura do indivíduo."

Esse padrão se manifesta em duas (ou mais) das seguintes áreas:
1. Cognição; 
2. Afetividade; 
3. Desempenho interpessoal; 
4. Controle de impulsos.

Afirma ainda que: o padrão é persistente e inflexível e abrange uma ampla gama de situações pessoais e sociais, além de provocar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. O padrão é estável e de longa duração, e seu início pode remontar à adolescência ou ao começo da vida adulta. Não é melhor explicado como uma manifestação ou consequência de outro transtorno mental, também não é decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância.

Relembrados o conceito e as diretrizes diagnósticas para um transtorno de personalidade de maneira geral, vamos nos aprofundar no estudo do transtorno de personalidade borderline.

Para o DSM-IV-TR, trata-se de: padrão global de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, da autoimagem e dos afetos e acentuada impulsividade, que se manifesta no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicados por no mínimo, cinco dos seguintes critérios: 

1. Esforços frenéticos no sentido de evitar um abandono real ou imaginário (não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no critério 5); 

2. Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização; 

3. Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da autoimagem ou do sentimento de self; 

4. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no critério 5); 

5. Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante; 

6. Instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor; 

7. Sentimentos crônicos de vazio; 

8. Raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva; 

9. Ideação paranoide transitória e relacionada ao estresse ou a graves sintomas dissociativos.

E o CID-10, o que diz a respeito?

O CID-10 traz pequena diferença quando comparado ao DSM-IV. Naquele, o tipo borderline aparece com um subtipo do transtorno de personalidade emocionalmente instável. Na classificação em análise, temos que nesse transtorno há uma tendência marcante a agir impulsivamente sem consideração das consequências, junto com estabilidade afetiva. Duas variantes desse transtorno de personalidade são especificadas: 1) Tipo impulsivo e 2) Tipo borderline (limítrofe). 

No tipo borderline, várias das características de instabilidade emocional estão presentes. Em adição, a autoimagem, objetivos e preferências internas (incluindo a sexual) do paciente são com frequência pouco claros ou perturbados. Há, em geral, sentimentos crônicos de vazio. Uma propensão a se envolver em relacionamentos intensos e instáveis pode causar repetidas crises emocionais e pode estar associada com esforços repetitivos para evitar o abandono e uma série de ameaças de suicídio ou atos de autolesão. 

Visto como o transtorno é descrito tanto no CID-10 quanto no DSM-IV, chegamos à conclusão de que a alternativa e é o gabarito da questão, tendo em vista que as demais alternativas não se encaixam ao padrão de comportamento indicados tanto no CID-10 quanto no DSM-IV. 

Gabarito: letra e
 

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